Dia Internacional da Mulher 2009
O Dia Internacional da Mulher deste ano foi marcado por um fato triste que retrata a vulnerabilidade feminina, a qual se mantém através dos tempos, apesar das lutas e conquistas cotidianas. A menina pernambucana de 9 anos, que fora estuprada pelo padrasto desde os 6 anos, submetida a um aborto por conta de uma gestação indevida de gêmeos, além de tudo foi alvo de repúdio da Igreja, diante da "preservação da vida" resultando na excomunhão dos médicos e pessoas diretamente envolvidas. O mais triste é que o mal feitor, o animal que abusava da menina não foi excomungado. O que me permite pensar na visão ainda machista do clero que aceita um crime horrendo cometido pelo homem como algo comum e naõ aceita a liberdade de escolha da mulher sobre o próprio corpo, mesmo que seja para proteger sua vida, a vida de uma criança. Ao pensar em toda essa humilhação que a mulher ocidental presencia, levo meu pensamento ao Oriente, mais entristecida ainda, agora com o retorno da Sharia - um código tribal utilizado contra as mulheres em todo o Paquistão. Este código condenou Mukhtar Mai, a ser estuprada publicamente, simplesmente porque seu irmão de 12 anos teria olhado para uma mulher de casta "superior". O suplicio de Mukhtar, com estupro público e múltiplo, é apenas uma página do sofrimento de algumas mulheres que precisam se submeter às leis que foram ditadas por "homens sábios e chefes religiosos" e que se mantêm até hoje, pasmem, em pleno século XXI a mulher ainda não pode ter domínio do próprio corpo.
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